O direito à vida: circunstâncias e decisão do Presidente da República
Publicado no Jornal Correio do Vouga em 99/99/99

O movimento de defesa da vida
nasce entre nós perante a evidência de que o Estado pretende
demitir-se da protecção à vida intra-uterina e à maternidade. O
Estado, a quem cabe defender e proteger os mais carenciados, parece
agora querer entregar seres humanos, durante os primeiros meses de
vida, ao arbítrio das circunstâncias que os rodeiam.

 Cada vez que uma força política se declara, enquanto poder, adepta da
liberalização do aborto, declara-se incapaz, e abdica de proteger e de
dar condições para que vidas humanas o possam ser.

Perante esta falência do Estado, impõe-se um papel forte da sociedade.

Por isso, vemos com empenho redobrado o trabalho feito por
instituições de apoio a grávidas e a crianças; movimentos que
contrapõem ao poder político argumentos e valores não ignoráveis;
colunistas e “opinion-makers” que mostram a fragilidade de uma
civilização onde a vida não tem valor absoluto, a irresponsabilidade
toma foros de direito (ao aborto) e o relativismo egoísta impera.

A FEDERAÇÃO PORTUGUESA PELA VIDA, herdeira desta unidade em torno da
CIVILIZAÇÃO DA VIDA, torna clara esta consciência social que se
sobrepõe (como vimos em 1998) a uma certa elite política que se diz
esclarecida e progressista, mas é, tão só, portadora de uma cegueira
ideológica.

O Presidente da Republica, ao rejeitar, no passado 2 de Maio, novo
referendo ao Aborto, fê-lo seguramente por questões de conjuntura
política como disse em comunicado. Mas a decisão não se esgota nos
aspectos conjunturais. No início de nova Legislatura na Assembleia da
Republica, é aquela decisão, não só ditada pela força das
circunstâncias, mas também uma resposta positiva para aqueles e
aquelas que terão filhos, ainda que carecidos de apoio, um alerta ao
governo para que não resuma a agenda politica à problemática do
aborto, um apelo à responsabilidade na cidadania, e por fim a
constatação de que as circunstâncias que em 98 levaram à vitória do
NÃO ao ABORTO, não se alteraram, mantendo-se válida a consulta de
então.

Toda a lei penal tem aspectos estigmatizantes e indesejáveis, mas
neste caso há que perguntar - Quantos milhares de vidas não se salvam
por ser o aborto sancionado penalmente?

A decisão do Presidente da Republica é também assim um convite a que
se continue a salvar vidas humanas.


Isilda Pegado

Presidente da Federação Portuguesa Pela Vida




ADAV Aveiro | Fejocama © Copyright 2006.