{"id":1240,"date":"2011-02-24T21:18:12","date_gmt":"2011-02-24T21:18:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=1240"},"modified":"2017-11-12T10:40:30","modified_gmt":"2017-11-12T10:40:30","slug":"morreu-o-homem-que-se-arrependeu-de-praticar-75-mil-abortos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=1240","title":{"rendered":"22 de fevereiro &#8211; Morreu o homem que se arrependeu de praticar 75 mil abortos"},"content":{"rendered":"<div id=\"lead_principal\">\n<div id=\"main_lead\">22\/02\/2011<\/div>\n<div>Em finais dos anos 70, Bernard Nathanson come\u00e7ou a ter d\u00favidas sobre as suas pr\u00e1ticas. Numa confer\u00eancia em Lisboa, em 1998, explicou que ele e os seus colegas apresentavam graves perturba\u00e7\u00f5es do sono, problemas no casamento e pesadelos.<\/div>\n<\/div>\n<p>Morreu ontem, aos 84 anos, o m\u00e9dico e activista pr\u00f3-vida Bernard Nathanson. Nathanson dedicou a maior parte da sua vida a lutar pela quest\u00e3o do aborto: inicialmente, manifestou-se a favor da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto;\u00a0mais tarde, depois de um doloroso processo interior, manifestou-se contra.<\/p>\n<div id=\"main_body\">\n<div>Formado em 1949, especializou-se em obstetr\u00edcia e ginecologia. Testemunhou em primeira m\u00e3o as complica\u00e7\u00f5es resultantes de abortos ilegais nas mulheres pobres que acorriam ao hospital de Manhattan e convenceu-se da necessidade de lutar pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Fundou a National Association for the Repeal of Abortion Laws, que ainda hoje existe e \u00e9 conhecida como NARAL Pro-Choice America, e dedicou-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 campanha pela legaliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00e1tica de abortos.<\/p>\n<p>Uma vez legalizada a pr\u00e1tica, depois do famoso caso \u201cRoe versus Wade\u201d (ver caixa), Nathanson tornou-se director do Centro de Sa\u00fade Sexual e Reprodutiva em Nova Iorque. Durante a sua vig\u00eancia, o centro praticou cerca de 60 mil abortos. A estes acrescentava cinco mil feitos directamente por ele e outros 10 mil por residentes sob as suas ordens.<\/p>\n<p>Em finais dos anos 70, come\u00e7ou a ter d\u00favidas sobre as suas pr\u00e1ticas. Numa confer\u00eancia em Lisboa, em 1998, explicou que ele e os seus colegas apresentavam graves perturba\u00e7\u00f5es do sono, problemas no casamento e pesadelos.<\/p>\n<p><strong>O Grito Silencioso<\/strong><br \/>\nCom o avan\u00e7o da tecnologia ecogr\u00e1fica, Nathanson acabaria por mudar radicalmente de opini\u00e3o. Dedicou a sua vida &#8220;a tentar desfazer o mal que tinha feito&#8221;, falando em todo o mundo, incluindo Portugal, e apresentando-se sempre em p\u00fablico como \u201crespons\u00e1vel por mais de 75 mil abortos\u201d, alertando para &#8220;as t\u00e9cnicas propagand\u00edsticas dos adeptos da despenaliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em 1985, narrou um curto document\u00e1rio, chamado \u201cO Grito Silencioso\u201d, que acompanha a gesta\u00e7\u00e3o e mostra imagens reais de um aborto a ser praticado. No v\u00eddeo, v\u00ea-se o feto a recuar perante a agulha e a abrir a boca, no que aparenta ser um grito.<\/p>\n<p>Apesar das suas origens judaicas e ate\u00edstas, baptizou-se na Igreja Cat\u00f3lica em 1996, v\u00e1rios anos depois de se converter \u00e0 causa pr\u00f3-vida. Segundo o pr\u00f3prio, o seu interesse pelo Catolicismo nasceu precisamente da identifica\u00e7\u00e3o com as posi\u00e7\u00f5es da Igreja em rela\u00e7\u00e3o ao aborto.<\/p>\n<p>Morreu ontem de cancro, na companhia da sua mulher, em Manhattan.<\/p>\n<div>\n<div><span><strong>Roe versus Wade<\/strong><\/p>\n<p>Roe v. Wade foi o nome dado ao caso decisivo que abriu as portas \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto nos EUA, que assim se conseguiu por via judicial e n\u00e3o legislativa.<\/p>\n<p>Na verdade o que os ju\u00edzes do supremo tribunal decidiram n\u00e3o foi a legaliza\u00e7\u00e3o directa do aborto, mas sim que os casos de aborto s\u00e3o abrangidos pelo direito \u00e0 privacidade, expresso na 14\u00aa emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O facto de a decis\u00e3o ter sido tomada pelo supremo tribunal tornou-a vinculativa para todos os Estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O caso espec\u00edfico desenrolou-se em torno de Norma L. McCorvey (tratado por Roe no caso, por quest\u00f5es de anonimato), que processou o Estado de Texas reclamando o direito a fazer um aborto. O caso levou tanto tempo a decidir-se que o seu filho nasceu entretanto, mas o resultado final acabaria por alterar radicalmente o pa\u00eds neste campo.<\/p>\n<p>Curiosamente, anos mais tarde, Norma L. McCorvey tornou-se uma activista pr\u00f3-vida, denunciado a forma como o seu caso tinha sido manipulado pelos defensores da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto.<\/p>\n<p>McCorvey continua a dedicar-se \u00e0 defesa da vida nos EUA e a lutar pela revoga\u00e7\u00e3o judicial de Roe v. Wade.<\/p>\n<p><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>Filipe d&#8217;Avillez<\/div>\n<div>in http:\/\/www.rr.pt\/informacao_detalhe.aspx?fid=93&amp;did=143321<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22\/02\/2011 Em finais dos anos 70, Bernard Nathanson come\u00e7ou a ter d\u00favidas sobre as suas pr\u00e1ticas. Numa confer\u00eancia em Lisboa, em 1998, explicou que ele e os seus colegas apresentavam graves perturba\u00e7\u00f5es do sono, problemas no casamento e pesadelos. 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