{"id":1393,"date":"2011-04-02T15:27:54","date_gmt":"2011-04-02T15:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=1393"},"modified":"2011-04-02T15:36:30","modified_gmt":"2011-04-02T15:36:30","slug":"na-vida-humana-toda-a-idade-e-humana","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=1393","title":{"rendered":"Na vida humana, toda a idade \u00e9 humana"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-1275\" href=\"http:\/\/www.adavaveiro.org\/?attachment_id=1275\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-1275\" title=\"defender a vida\" src=\"http:\/\/www.adavaveiro.org\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/defender-a-vida1-260x257.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/www.adavaveiro.org\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/defender-a-vida1-260x257.jpg 260w, https:\/\/www.adavaveiro.org\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/defender-a-vida1-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.adavaveiro.org\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/defender-a-vida1.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/a>Portugal assistiu, neste contexto de III Rep\u00fablica, a dois referendos a pretexto da liberaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do aborto: em 1998 e em 2007. Merecendo s\u00e9ria e coerente discuss\u00e3o a legitimidade da sua realiza\u00e7\u00e3o \u2013 atendendo a que entregou \u00e0 decis\u00e3o de maiorias a delibera\u00e7\u00e3o sobre se a vida de algu\u00e9m poderia fazer-se de conta que n\u00e3o merecia protec\u00e7\u00e3o -, contudo, estes referendos serviram para constatar o car\u00e1cter movedi\u00e7o dos argument\u00e1rios que tentavam legitimar aquilo que a raz\u00e3o demonstrava ser insofism\u00e1vel: que a vida humana \u00e9 um cont\u00ednuo e, como tal, s\u00e3o inconsequentes todos os argumentos que procuram definir um crit\u00e9rio subjectivo para marcar se estamos diante de uma vida humana ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ouviram-se argumentos estranhos como os daqueles que se referiam ao filho em desenvolvimento como sendo \u00abuma coisa que a mulher tem dentro de si\u00bb ou \u00abaquela parte do corpo da mulher que tem um c\u00f3digo gen\u00e9tico diferente do dela\u00bb. Alguns foram, mesmo, mais longe, argumentando que, enquanto n\u00e3o h\u00e1 dor nem sensa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estamos perante um ser de natureza humana, tratando-se, apenas, de \u00abmaterial gen\u00e9tico\u00bb.<\/p>\n<p>Curiosamente, a hist\u00f3ria demonstra que, sempre que o ser humano pretendeu legitimar comportamentos, que sabia serem inaceit\u00e1veis, recorreu a uma objectualiza\u00e7\u00e3o do outro, isto \u00e9, reduziu-o a \u00abcoisa\u00bb, a um \u00aboutro estranho\u00bb, diferente de si e, por isso, inferior a si por n\u00e3o ser da sua mesma natureza: assim aconteceu nos contextos de persegui\u00e7\u00e3o por motivos de racismo, de intoler\u00e2ncia religiosa ou pol\u00edtica\u2026 O outro \u00e9 sempre, nestas perspectivas, um estranho sobre o qual parece poder-se exercer viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Pois bem, o que os debates desenvolvidos, em contexto de referendos, vieram demonstrar foi que o ser que se desenvolve no seio da m\u00e3e \u00e9 um de n\u00f3s, porque est\u00e1 numa etapa pela qual n\u00f3s mesmos pass\u00e1mos. Ele \u00e9, apenas, um de n\u00f3s mais novo do que n\u00f3s. E quando estamos certos disto, esse de n\u00f3s merece toda a nossa aten\u00e7\u00e3o, mesmo que pretendam justificar a sua elimina\u00e7\u00e3o. Foi estranha, por isso, a decis\u00e3o do legislador e, particularmente, do Tribunal Constitucional (numa rela\u00e7\u00e3o de 7 ju\u00edzes a favor e 6 contra), que considerou haver d\u00favida sobre se a exist\u00eancia \u00abdesse de n\u00f3s\u00bb mereceria menos protec\u00e7\u00e3o do que a opini\u00e3o de que ele n\u00e3o merecia ser considerado um de n\u00f3s. Venceu a opini\u00e3o sobre a realidade. Instaurou-se, como refere Giovanni Sartori a prop\u00f3sito da influ\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o social sobre as decis\u00f5es dos povos, uma esp\u00e9cie de \u00abditadura da opini\u00e3o\u00bb. A opini\u00e3o \u2013 que muda e oscila de acordo com as influ\u00eancias \u2013 determinou a legitimidade do fim de vidas que n\u00e3o podem ser retomadas, porque n\u00e3o podem ser interrompidas.<\/p>\n<p>Urge, por isso, reconquistar a sensibilidade \u00e9tica que reconhece no outro, qualquer que seja a sua idade \u2013 mesmo que tenha menos de dez semanas de vida -, um igual a n\u00f3s. Este \u00e9 um princ\u00edpio que n\u00e3o se esgota nos in\u00edcios da vida, pois tamb\u00e9m no fim da vida \u00e9 acutilante \u2013 aquele que a idade parece j\u00e1 ter esgotado n\u00e3o perdeu dignidade de humano por estar mais d\u00e9bil. Pelo contr\u00e1rio, a sua debilidade exige compromisso e n\u00e3o indiferen\u00e7a de todos. A indiferen\u00e7a \u00e9, com efeito, o contr\u00e1rio da sensibilidade \u00e9tica.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Silva<\/p>\n<p>S\u00f3cio fundador e presidente da direc\u00e7\u00e3o da ADAV-Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal assistiu, neste contexto de III Rep\u00fablica, a dois referendos a pretexto da liberaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do aborto: em 1998 e em 2007. 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