{"id":171,"date":"2010-04-10T21:34:42","date_gmt":"2010-04-10T21:34:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=171"},"modified":"2011-01-28T21:33:08","modified_gmt":"2011-01-28T21:33:08","slug":"a-liberalizacao-do-aborto-nao-acabou-com-os-dramas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=171","title":{"rendered":"&#8220;A liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o acabou com os dramas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>continua\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual a \u00e1rea geogr\u00e1fica em que a ADAV est\u00e1 mais presente?<br \/>\n<\/strong>A ADAV tem \u00e2mbito distrital, mas neste momento estamos a actuar com mais intensidade nos concelhos de Aveiro e \u00cdlhavo e um pouco em Sever do Vouga, Oliveira do Bairro e Anadia. Gost\u00e1vamos de ter n\u00facleos de freguesia ou de concelho que nos tornassem mais pr\u00f3ximos, com mais conhecimento das situa\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil arranjar quem queira empenhar-se neste trabalho. Penso que a nova direc\u00e7\u00e3o vai focar-se um pouco neste assunto. Estamos tamb\u00e9m empenhados em criar dentro da ADAV um conselho econ\u00f3mico que contacte empresas que se queiram comprometer connosco com algumas import\u00e2ncias, de modo a podermos ter um ou uma profissional da \u00e1rea da assist\u00eancia social que fa\u00e7a um acompanhamento das situa\u00e7\u00f5es no terreno. Esse profissional responderia tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00f5es emergentes de defesa da vida, como quando uma gr\u00e1vida, aflita, nos chama. N\u00e3o podemos estar \u00e0 espera da disponibilidade dos volunt\u00e1rios. Queremos ter algu\u00e9m que v\u00e1 logo dar apoio a essa pessoa. Teria de ser uma pessoa que vestisse a camisola dos nossos valores. O nosso passo seguinte tem de ser esse, para estarmos mais pr\u00f3ximos das escolas, dos centros de sa\u00fade, dos hospitais, onde se debatem muitos dramas. A liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o acabou com os dramas. \u00c9 preciso ir ao encontro destas pessoas.<\/p>\n<p><strong>Durante o seu mandado decorreu o referendo. De certa forma, a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto representou uma derrota para a ADAV, que se empenhou fortemente pelo \u201cn\u00e3o\u201d.<br \/>\n<\/strong>N\u00f3s n\u00e3o perdemos. A n\u00edvel nacional, sim, mas a n\u00edvel local, n\u00e3o. Percorremos o distrito todo, empenh\u00e1mo-nos na causa.<\/p>\n<p><strong>A derrota n\u00e3o provocou a desmobiliza\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios da ADAV?<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o. Antes pelo contr\u00e1rio. O facto de haver uma lei que legaliza determinadas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vem resolver as situa\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia das pessoas. Facilita algumas, mas n\u00e3o resolve o problema. As pessoas contactam-nos a pedir uma ajuda. Por vezes, nem \u00e9 uma ajuda material, mas de apoio psicol\u00f3gico e m\u00e9dico, depois de uma tentativa de aborto que n\u00e3o resultou.<br \/>\nQuer dizer que continua o aborto clandestino\u2026<br \/>\nParece que sim. N\u00f3s n\u00e3o entramos na vida \u00edntima das pessoas. S\u00f3 aceitamos aquilo que nos dizem. Ouvimos as pessoas, procuramos ajud\u00e1-las no problema concreto, mas n\u00e3o\u00a0fazemos ju\u00edzos morais.<\/p>\n<p><strong>Tem not\u00edcia de pessoas que contactam a ADAV e que, mesmo assim, acabam por provocar um aborto?<\/strong><br \/>\nTemos. S\u00e3o as nossas mazelas. Dois ou tr\u00eas casos nos \u00faltimos tempos. Essas \u00e9 que s\u00e3o as nossas derrotas.<\/p>\n<p><strong>A escola \u00e9 uma \u00e1rea onde ADAV j\u00e1 tem desenvolvido ac\u00e7\u00f5es e gostaria de estar mais presente\u2026<br \/>\n<\/strong>Sim, porque surgem situa\u00e7\u00f5es que precisam do nosso apoio. Ainda esta semana tive o contacto de uma professora, porque uma aluna de 15 anos apareceu gr\u00e1vida. A professora quis saber que tipo de ajudas pod\u00edamos dar.<br \/>\nJ\u00e1 colabor\u00e1mos no ano passado com uma escola no Projecto de Sa\u00fade. Assin\u00e1mos um protocolo com a Escola Jo\u00e3o Afonso (Aveiro) e estivemos em seis aulas. Falou-se de educa\u00e7\u00e3o sexual, planeamento familiar, educa\u00e7\u00e3o dos afectos\u2026 Fomos muito bem acolhidos. Este ano esperamos desenvolver um projecto semelhante numa escola do norte do distrito.<\/p>\n<p><strong>Quem interv\u00e9m no meio escolar? Os volunt\u00e1rios?<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o propriamente. S\u00e3o m\u00e9dicos, psic\u00f3logos ou pais, pessoas credenciadas que colaboram com a ADAV. Mas n\u00e3o nos levam nada. Contact\u00e1mo-los, dizemos que temos um projecto e perguntamos se est\u00e3o dispostos a colaborar connosco. Eles aderem e v\u00e3o em nome da ADAV. Gostar\u00edamos, naturalmente, de ter uma equipa mais \u00e0 m\u00e3o, visto alguns v\u00eam de Cantanhede. Outros s\u00e3o de Aveiro.<\/p>\n<p><strong>ADAV preocupa-se mais com o princ\u00edpio da humana. Como v\u00ea o respeito pela vida no tempo actual?<\/strong><br \/>\nGostar\u00edamos tamb\u00e9m ter em aten\u00e7\u00e3o o fim da vida. Os nossos estatutos falam disso. Prev\u00eaem o apoio \u00e0 fase terminal, sobretudo das pessoas com doen\u00e7as incur\u00e1veis. Mas ainda n\u00e3o chegamos a\u00ed. Mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pergunta, o que vejo \u00e9 que estamos numa sociedade do f\u00e1cil, da fuga ao compromisso. A vida \u00e9 mais exigente, por um lado. O n\u00edvel de vida melhorou. Mas h\u00e1, talvez um efeito de marketing, que faz com que as pessoas gastem por conta daquilo que h\u00e1-de vir. A vida dos velhos passa a ser um peso, porque \u00e9 preciso tratar deles. E as crian\u00e7as s\u00e3o um estorvo para um doutoramento, para arranjar um emprego\u2026 Digamos que h\u00e1 uma causa econ\u00f3mica e social para a vida ter menos valor. H\u00e1 uma mentalidade do descart\u00e1vel. Talvez a presente crise ajude as pessoas a tornarem-se mais conscienciosas de como devem gerir a sua pr\u00f3pria vida. E, ao terem consci\u00eancia disso, talvez valorizem mais a vida.<\/p>\n<p>Entrevista conduzida por<br \/>\nJorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>continua\u00e7\u00e3o Qual a \u00e1rea geogr\u00e1fica em que a ADAV est\u00e1 mais presente? 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