{"id":176,"date":"2010-04-10T21:38:40","date_gmt":"2010-04-10T21:38:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=176"},"modified":"2010-04-13T21:17:14","modified_gmt":"2010-04-13T21:17:14","slug":"a-liberalizacao-do-aborto-nao-acabou-com-os-dramas-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=176","title":{"rendered":"&#8220;A liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o acabou com os dramas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>entrevista por Jorge Pires Ferreira, <em>Correio do Vouga<\/em>, 18 de Novembro de 2009<\/p>\n<p>Am\u00e2ndio Albuquerque, 72 anos, m\u00e9dico, est\u00e1 a concluir o seu mandato de tr\u00eas anos \u00e0 frente da ADAV (Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida). Sucedeu a Rog\u00e9rio Leit\u00e3o, que foi presidente desde a funda\u00e7\u00e3o, em 2000, a 2006, e ser\u00e1 sucedido por Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, eleito no dia 13 de Novembro e com tomada de posse marcada para o pr\u00f3ximo dia 23.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; <strong>Est\u00e1 a concluir tr\u00eas anos \u00e0 frente da ADAV. Que balan\u00e7o faz?<\/strong><br \/>\nAM\u00c2NDIO ALBUQUERQUE &#8211; O mandato foi marcado pela preocupa\u00e7\u00e3o de arranjarmos instala\u00e7\u00f5es que permitissem desenvolver o nosso trabalho. Est\u00e1vamos instalados na Casa de Santa Zita [no centro de Aveiro], mas o espa\u00e7o era apertado e n\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es para armazenar materiais e de prestar acolhimento condigno. Apresentamos o nosso projecto junto da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, projecto de apoio \u00e0 vida da gr\u00e1vida ou da mulher e das crian\u00e7as em dificuldade, que j\u00e1 desenvolvemos, e de ideias futuras, como o acompanha-mento de fam\u00edlias no seu pr\u00f3prio lar, com apoio \u00e0 actividade dom\u00e9stica: economia dom\u00e9stica, como se trata dos beb\u00e9s, etc. \u00c9 nossa ambi\u00e7\u00e3o caminharmos para a\u00ed. Neste momento j\u00e1 fazemos isso, mas apenas em regime de gabinete, no atendimento. O projecto foi bem acolhido e deram-nos duas salas no mercado municipal de Santiago, onde n\u00f3s nos instalamos no fim de 2007.<\/p>\n<p><strong>Como funciona o espa\u00e7o?<\/strong><br \/>\nCri\u00e1mos equipas de voluntariado para garantir um atendimento di\u00e1rio. Temos 14 volunt\u00e1rias que trabalharam em equipas de duas ou tr\u00eas pessoas. Est\u00e3o na sede de segunda a sexta-feira, das 10 horas ao meio dia. Gost\u00e1vamos de abrir tamb\u00e9m da parte da tarde, mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Tamb\u00e9m atendemos pelo telefone 234 42 40 40, a qualquer hora do dia.<\/p>\n<p><strong>Nestes tr\u00eas anos promoveram uma campanha de angaria\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios. Como correu?<br \/>\n<\/strong>A campanha n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. Algumas pessoas contribuem com donativos, mas n\u00e3o se tornam s\u00f3cios. Perguntam se o dinheiro da quota d\u00e1 para descontos no IRS e n\u00e3o d\u00e1. Pens\u00e1mos, por isso, em criar a figura do benfeitor permanente, aquele que se compromete com um donativo anual. Temos uns 25. Aument\u00e1mos o n\u00famero de s\u00f3cios de oitenta e poucos para 124. Quando falo de s\u00f3cios, falo dos que pagam mesmo. O n\u00famero podia ser mais elevado, mas retir\u00e1mos os inactivos.<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e9 a quota?<br \/>\n<\/strong>30 euros por ano. As quotas e os benfeitores permitem-nos ter um p\u00e9-de-meia. No espa\u00e7o decido pela C\u00e2mara, n\u00e3o pagamos renda nem luz. S\u00f3 pagamos telefone e despesas de correio. Temos um fundo que permite comprar coisas que at\u00e9 aqui n\u00e3o compr\u00e1vamos. E o que compramos? Essencialmente produtos para beb\u00e9, leites e fraldas.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da C\u00e2mara, que institui\u00e7\u00f5es colaboram convosco?<br \/>\n<\/strong>Temos o Banco Alimentar Contra a Fome \u2013 Aveiro, que fornece g\u00e9neros alimentares que a ADAV distribui, e a Pr\u00e9-Natal, que nos d\u00e1s cadeiras, biber\u00f5es, roupas, enfim, material pr\u00f3prio para beb\u00e9. Para algumas actividades, como os concertos de Natal que fizemos em 2007 e 2008, contamos com o apoio da Miseric\u00f3rdia de Aveiro, que cede a igreja.<\/p>\n<p><strong>Pode dar-nos alguns dados das crian\u00e7as que ajudam?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s apoiamos fam\u00edlias. No ano de 2009, estamos a apoiar 73 fam\u00edlias, cerca de 240 pessoas. Em 2008, apoi\u00e1mos cerca de 60 fam\u00edlias. Estas 73 fam\u00edlias t\u00eam 121 filhos, dos quais 61 s\u00e3o crian\u00e7as dos zero aos 3 anos. 18 mulheres est\u00e3o gr\u00e1vidas. Sabemos tamb\u00e9m que destas 73 fam\u00edlias, 12 m\u00e3es s\u00e3o casadas, 24 est\u00e3o em uni\u00e3o de facto, 26 s\u00e3o m\u00e3es solteiras, quatro s\u00e3o vi\u00favas e sete s\u00e3o divorciadas.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de ajuda material d\u00e1 a ADAV?<br \/>\n<\/strong>Privilegiamos os beb\u00e9s e as gr\u00e1vidas, com roupa pr\u00f3pria e alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. At\u00e9 agora, em 2009, demos mais de quatro mil fraldas, tr\u00eas carrinhos de beb\u00e9, 395 len\u00e7\u00f3is, 57 \u201cbabygrous\u201d, 40 embalagens de leite para rec\u00e9m-nascidos, 245 de leite de crescimento, s\u00f3 para referir alguns exemplos.<\/p>\n<p><strong>A diversidade de situa\u00e7\u00f5es que acima apontou leva a que a ADAV n\u00e3o d\u00ea apenas apoio material\u2026<\/strong><br \/>\nSim. Temos tamb\u00e9m o apoio m\u00e9dico, jur\u00eddico e na \u00e1rea da psicologia. Quando temos uma necessidade, contactamos volunt\u00e1rios que previamente est\u00e3o acordados connosco e marcamos a consulta no m\u00e9dico, no psic\u00f3logo ou no advogado\u2026<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que as pessoas conhecem a ADAV?<\/strong><br \/>\nA ADAV tem sido divulgada por mupis [publicidade em mobili\u00e1rio urbano], em colabora\u00e7\u00e3o com a C\u00e2mara Municipal de Aveiro, atrav\u00e9s do boca-a-boca e dos professores, principalmente de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>Qual a \u00e1rea geogr\u00e1fica em que a ADAV est\u00e1 mais presente?<br \/>\n<\/strong>A ADAV tem \u00e2mbito distrital, mas neste momento estamos a actuar com mais intensidade nos concelhos de Aveiro e \u00cdlhavo e um pouco em Sever do Vouga, Oliveira do Bairro e Anadia. Gost\u00e1vamos de ter n\u00facleos de freguesia ou de concelho que nos tornassem mais pr\u00f3ximos, com mais conhecimento das situa\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil arranjar quem queira empenhar-se neste trabalho. Penso que a nova direc\u00e7\u00e3o vai focar-se um pouco neste assunto. Estamos tamb\u00e9m empenhados em criar dentro da ADAV um conselho econ\u00f3mico que contacte empresas que se queiram comprometer connosco com algumas import\u00e2ncias, de modo a podermos ter um ou uma profissional da \u00e1rea da assist\u00eancia social que fa\u00e7a um acompanhamento das situa\u00e7\u00f5es no terreno. Esse profissional responderia tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00f5es emergentes de defesa da vida, como quando uma gr\u00e1vida, aflita, nos chama. N\u00e3o podemos estar \u00e0 espera da disponibilidade dos volunt\u00e1rios. Queremos ter algu\u00e9m que v\u00e1 logo dar apoio a essa pessoa. Teria de ser uma pessoa que vestisse a camisola dos nossos valores. O nosso passo seguinte tem de ser esse, para estarmos mais pr\u00f3ximos das escolas, dos centros de sa\u00fade, dos hospitais, onde se debatem muitos dramas. A liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o acabou com os dramas. \u00c9 preciso ir ao encontro destas pessoas.<\/p>\n<p><strong>Durante o seu mandado decorreu o referendo. De certa forma, a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto representou uma derrota para a ADAV, que se empenhou fortemente pelo \u201cn\u00e3o\u201d.<br \/>\n<\/strong>N\u00f3s n\u00e3o perdemos. A n\u00edvel nacional, sim, mas a n\u00edvel local, n\u00e3o. Percorremos o distrito todo, empenh\u00e1mo-nos na causa.<\/p>\n<p><strong>A derrota n\u00e3o provocou a desmobiliza\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios da ADAV?<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o. Antes pelo contr\u00e1rio. O facto de haver uma lei que legaliza determinadas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vem resolver as situa\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia das pessoas. Facilita algumas, mas n\u00e3o resolve o problema. As pessoas contactam-nos a pedir uma ajuda. Por vezes, nem \u00e9 uma ajuda material, mas de apoio psicol\u00f3gico e m\u00e9dico, depois de uma tentativa de aborto que n\u00e3o resultou.<br \/>\nQuer dizer que continua o aborto clandestino\u2026<br \/>\nParece que sim. N\u00f3s n\u00e3o entramos na vida \u00edntima das pessoas. S\u00f3 aceitamos aquilo que nos dizem. Ouvimos as pessoas, procuramos ajud\u00e1-las no problema concreto, mas n\u00e3o\u00a0fazemos ju\u00edzos morais.<\/p>\n<p><strong>Tem not\u00edcia de pessoas que contactam a ADAV e que, mesmo assim, acabam por provocar um aborto?<\/strong><br \/>\nTemos. S\u00e3o as nossas mazelas. Dois ou tr\u00eas casos nos \u00faltimos tempos. Essas \u00e9 que s\u00e3o as nossas derrotas.<\/p>\n<p><strong>A escola \u00e9 uma \u00e1rea onde ADAV j\u00e1 tem desenvolvido ac\u00e7\u00f5es e gostaria de estar mais presente\u2026<br \/>\n<\/strong>Sim, porque surgem situa\u00e7\u00f5es que precisam do nosso apoio. Ainda esta semana tive o contacto de uma professora, porque uma aluna de 15 anos apareceu gr\u00e1vida. A professora quis saber que tipo de ajudas pod\u00edamos dar.<br \/>\nJ\u00e1 colabor\u00e1mos no ano passado com uma escola no Projecto de Sa\u00fade. Assin\u00e1mos um protocolo com a Escola Jo\u00e3o Afonso (Aveiro) e estivemos em seis aulas. Falou-se de educa\u00e7\u00e3o sexual, planeamento familiar, educa\u00e7\u00e3o dos afectos\u2026 Fomos muito bem acolhidos. Este ano esperamos desenvolver um projecto semelhante numa escola do norte do distrito.<\/p>\n<p><strong>Quem interv\u00e9m no meio escolar? Os volunt\u00e1rios?<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o propriamente. S\u00e3o m\u00e9dicos, psic\u00f3logos ou pais, pessoas credenciadas que colaboram com a ADAV. Mas n\u00e3o nos levam nada. Contact\u00e1mo-los, dizemos que temos um projecto e perguntamos se est\u00e3o dispostos a colaborar connosco. Eles aderem e v\u00e3o em nome da ADAV. Gostar\u00edamos, naturalmente, de ter uma equipa mais \u00e0 m\u00e3o, visto alguns v\u00eam de Cantanhede. Outros s\u00e3o de Aveiro.<\/p>\n<p><strong>ADAV preocupa-se mais com o princ\u00edpio da humana. Como v\u00ea o respeito pela vida no tempo actual?<\/strong><br \/>\nGostar\u00edamos tamb\u00e9m ter em aten\u00e7\u00e3o o fim da vida. Os nossos estatutos falam disso. Prev\u00eaem o apoio \u00e0 fase terminal, sobretudo das pessoas com doen\u00e7as incur\u00e1veis. Mas ainda n\u00e3o chegamos a\u00ed. Mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pergunta, o que vejo \u00e9 que estamos numa sociedade do f\u00e1cil, da fuga ao compromisso. A vida \u00e9 mais exigente, por um lado. O n\u00edvel de vida melhorou. Mas h\u00e1, talvez um efeito de marketing, que faz com que as pessoas gastem por conta daquilo que h\u00e1-de vir. A vida dos velhos passa a ser um peso, porque \u00e9 preciso tratar deles. E as crian\u00e7as s\u00e3o um estorvo para um doutoramento, para arranjar um emprego\u2026 Digamos que h\u00e1 uma causa econ\u00f3mica e social para a vida ter menos valor. H\u00e1 uma mentalidade do descart\u00e1vel. Talvez a presente crise ajude as pessoas a tornarem-se mais conscienciosas de como devem gerir a sua pr\u00f3pria vida. E, ao terem consci\u00eancia disso, talvez valorizem mais a vida.<\/p>\n<p><strong>continua<\/strong><\/p>\n<p>Entrevista conduzida por<br \/>\nJorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>entrevista por Jorge Pires Ferreira, Correio do Vouga, 18 de Novembro de 2009 Am\u00e2ndio Albuquerque, 72 anos, m\u00e9dico, est\u00e1 a concluir o seu mandato de tr\u00eas anos \u00e0 frente da ADAV (Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida). Sucedeu a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.adavaveiro.org\/?page_id=176\">Continuar a ler <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":17,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-176","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=176"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":178,"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/176\/revisions\/178"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/17"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.adavaveiro.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}